quarta-feira, 13 de outubro de 2010

OS MISERAVEIS


Os Miseráveis: o percurso irônico da personagem Jean Valjean.

Por Kennedy Conceição[1]




Na análise de “Os Miseráveis”, de Vitor Hugo, procuro uma definição de ironia que não se enquadra nas definições usuais como o jogo de palavras, a sátira, paródia relacionadas à sátira ou a ironia socrática. Procuro algo capaz de explicar a contradição entre as atitudes da sociedade perante uma determinada personagem no romance. Essas atitudes deveriam determinar certos movimentos, no entanto, resultam em movimentos contrários aos normatizados pela sociedade, tais como os que emolduram a personagem de Vitor Hugo, Jean Valjean, que apesar de um julgamento cruel e de ser penalizado com tamanha injustiça não foi capaz de reproduzir o modelo esperado pela sociedade.
Desta maneira procurarei demonstrar que a personagem de Vitor Hugo, como o próprio autor, ironicamente não satisfez as expectativas que a sociedade de sua época esperava deles.
Todas as personagens envolvidas na trama de Victor Hugo possuem um caráter contraditório que, a meu ver, revelam a ironia com que o autor trata o tema da injustiça. Valjean, após passar dezenove injustos anos preso assimila o rótulo que lhe deram de desonesto. Ao chegar á cidade de Digne é recebido como tal e lhe é negado o direito de se reintegrar à sociedade e tornar-se novamente um homem de bem. A personagem então assume a máscara que lhe é imposta pela sociedade e passa a agir de acordo com o que se espera dela e mesmo sendo abrigado de forma fraterna pelo Bispo Myriel, trai sua confiança e rouba-lhe. A ironia, no entanto, está presente no fato de que o ato de traição cometido por Valjean, ato que deveria condená-lo a um reles ladrão, funciona justamente ao contrário do esperado, pois este é o momento em que Valjean torna-se liberto de sua sina sendo perdoado pelo Bispo possibilitando que a personagem tome consciência de suas más atitudes e se torne uma pessoa melhor.
Essa consciência de Valjean justificará seus atos seguintes na narrativa e lhe concederá também o direito de multiplicar a atitude humanizante do Bispo. Assim, sua atitude de bondade se reproduz e Valjean devolverá o bem que recebeu ajudando também outras pessoas.
Valjean, já prefeito de Montreuil-sur-Mer e sob a máscara de Madeleine conhece Fantine, e por considerá-la uma injustiçada assim como ele foi decide ajudá-la e proporcionar a ela um momento de felicidade devolvendo-lhe a filha Cosette. Para isso, entretanto ele terá que se expor e arriscar-se a ser descoberto no seu disfarce e retornar à prisão. Valjean não consegue seu objetivo de ajudar Fantine em vida e sentindo-se em dívida com a senhora, assim que consegue fugir da prisão, resgata sua filha Cosette dos maus tratos dos Thénardiers.
Começa, assim, a saga de Valjean e Cosette numa série de fugas na tentativa de uma vida digna, porém o passado de Valjean sempre o persegue e um de seus erros é não revelar este passado a Cosette.  Ironicamente, Javert que não permite que Valjean seja uma pessoa livre acaba sendo salvo por ele. Esta ocorrência o divide e o deixa em dívida com seu perseguido. Javert, que possui um senso inabalável de justiça, começa a questionar-se de suas próprias convicções e por não conseguir conciliar seu sentimento de culpa com seu senso de dever deixa Valjean livre, mas condena a si mesmo. Seu erro é não conseguir questionar seus próprios padrões de justiça, e o fato de carregar consigo o peso da vergonha por ele mesmo ter um filho, Gipsy, que descumpriu a lei, o torna obcecado por fazer cumprir a lei.
A ironia está presente no fato de que apesar de os dois viverem em ambientes totalmente hostis para ambos, eles eram essencialmente pessoas boas e tinham humanidade e demonstram isso nas suas atitudes contraditórias. Quando se espera que Valjean se livre finalmente de Javert ele inverte a situação e não se iguala ao outro em suas atitudes intransigentes, pelo contrário, ele se compadece e permite que Javert fuja. Por outro lado, assim que Javert o reencontra sua primeira reação é prendê-lo, mas novamente quebrando as expectativas e agindo conforme o caráter humanitário ele deixa Jean Valjean livre.
Estes embates demonstram que mesmo frente às agruras da vida as pessoas no universo de Victor Hugo não se corrompem, mantendo-se fiéis aos seus valores. Portanto, o autor nega que o homem é produto meio. Ele foge a essa lógica e mostra em sua narrativa, justamente o contrário, que o homem é passível de mudança. Toda a obra de Victor Hugo demonstra sua luta em relação à pena capital. Isso deixa claro que ele acredita na recuperação do indivíduo, se este for tratado com humanidade. Nesse sentido o principal exemplo é o de Fantine que mesmo sendo abandona e explorada continuava uma pessoa boa e faz tudo que pode para manter a filha Cosette, e principalmente o próprio Jean Valjean que deixa para trás uma vida de delinqüência e encontra satisfação em ajudar as pessoas que julga merecedoras de uma oportunidade assim como ele precisou.
Cosette também serve como exemplo dessa fuga ao determinismo, pois apesar de ser explorada e maltratada pela família Thenardier ela não se transforma em uma pessoa amarga ou vingativa, ela é naturalmente boa e justa. Mesmo aqueles que são possíveis inimigos de Valjean, como Fauchelevent, não deixa de mostrar sua gratidão devolvendo o bem que o outro lhe fez e o abrigando quando tem oportunidade. Portanto, de alguma forma todos têm a oportunidade de se redimir de seus atos ou atitudes erronias, mesmo que seja no momento da sua morte. É nesse sentido também que notamos o traço positivo atribuído à narrativa, uma vez que Victor Hugo permite que suas personagens tenham a chance de se redimir ou de experimentar a compaixão deixando o egoísmo de lado. Isso demonstra, mais uma vez, o ponto de vista do autor em relação ao determinismo, pois suas personagens possuem a possibilidade de mudar e melhorar, fugindo à idéia de que uma vez mau o indivíduo tende a ser mau para sempre.
Àqueles que são maus não lhe é atribuído inteiramente a culpa, mas de um sistema injusto que lhes lança num caminho tortuoso, revelando o sistema de injustiças da sociedade francesa, como é o caso de Champmathieu, e do qual o autor acredita que só é possível escapar através do respeito e da compaixão do outro. A confiança e amor podem resgatar o indivíduo de uma vida de delitos e devolver-lhe a decência e dignidade, com exceção daqueles que são incapazes de amar ou de ter compaixão e se doar plenamente. Esse é um exemplo do que acontece com a personagem Eponine que embora seja de uma origem condenável como a dos Thénardiers, supera sua origem e torna-se uma pessoa capaz de se sacrificar pelo seu amor. Uma outra forma de maldade é aquela mal interpretada pelos atos sem reflexões de determinadas personagens, tais como Marius, que muitas vezes alienado em suas convicções não percebe as necessidades dos outros, agindo de forma extremamente egoísta. Contudo, mesmo esses traços de caráter podem ser alterados, como acontece com praticamente todas as personagens, independentemente das circunstâncias que os cercam.
Assim, observamos nas atitudes dessas personagens que suas ações ironizam as atitudes hipócritas e inflexíveis da sociedade da época que coloca pessoas pobres e indefesas numa situação de inferioridade condenando-as a um destino cruel e incentivando a injustiça social por considerá-las estorvo para sociedade, mas principalmente por ter dois pesos e duas medidas para pobres e ricos. Além disso, Victor Hugo atribui o descaso e abandono das pessoas à falta de estrutura familiar, uma vez que a maioria das personagens encontra-se em conflito familiar ou derivam de estruturas falidas. Essas observações revelam de certa forma a insatisfação do autor com as estruturas sociais de sua época.
Todos os pontos de vista de suas personagens revelam um diálogo com a visão de mundo do autor. É através da perspectiva que elas passam sobre o mundo ficcional que apreendemos essa visão de mundo. A crítica sobre a obra de Victor Hugo não poupa fôlego para demonstrar como o autor era entusiasmado com as questões de progresso social e como esse progresso se bem estruturado podia significar a prosperidade para todos. Ironicamente, esse mesmo progresso aumentava as desigualdades tão denunciadas por Victor Hugo e incentivava a divisão social. Assim, de forma otimista em relação aos avanços tecnológicos, Victor Hugo cria personagens que são capazes de usufruir desses avanços e gerar também prosperidade, como se dá no caso de Jean Valjean.
Outra questão ainda sobre o otimismo de Victor Hugo, e que no meu ponto de vista torna-se o mais irônico é quanto ao fato de Jean Valjean encarnar um dono de fábrica, na máscara de Madeleine, uma vez que essas estruturas de exploração e desigualdades eram questionadas pelo próprio autor. Todavia, é justamente jogando com esses elementos que o autor dá o golpe final e transforma o cruel dono de fábrica em um ser extremamente ético e correto com seus trabalhadores. Madeleine é senão a outra faceta do que se esperaria dos gananciosos industriais de sua época que enriqueciam a custa da exploração do trabalho de pessoas pobres que não tinham nenhuma condição de questionar o sistema. Novamente de forma sutil o autor ironicamente revela nas atitudes de suas personagens as contradições de seu tempo. Jean Valjean está cada vez mais próximo da figura altruísta de seu redentor, Myriel, pois apesar de tornar-se próspero seu desapego aos bens materiais é total.
O senso de dever para com Fantine e sua filha Cosette impulsionam as fugas de Valjean. Nesse sentido, ele também passa a não temer mais por si mesmo e sim pelo futuro da menina a quem se propôs proteger. Mais uma vez fica explícito o fato de que ele está evoluindo espiritualmente e se transformando em uma pessoa melhor, o que condiz com a proposta do autor de que as pessoas não estão fadadas a um futuro determinado. Cosette é a motivação de Valjean que abdica de todo e qualquer egoísmo para proteger e defender dando o sentido máximo do termo solidariedade.
De dono de fábrica ele passa a servo; um simples jardineiro que ironicamente se abriga em um convento, uma das instituições mais criticadas em vida pelo autor, devido ao seu caráter de distorcer certos conceitos e impor rígidos dogmas que alienam e mantém o ser humano numa espécie de reclusão impedindo-o de ascender intelectual e socialmente e o enclausurando em valores baseados na exploração de sua fé.
Outra questão que parece bastante ambígua e irônica é o final da narrativa com a morte de Valjean e a não punição de Thénardier. A primeira impressão da morte de Valjean é que logo ele que procurou mudar e se transformar de um criminoso em uma pessoa decente é punido com a morte enquanto o outro que em nenhum momento se conscientiza de suas atrocidades continua vivo. Contudo, podemos destacar que Valjean conseguiu sua absolvição e após entender suas transgressões e cumprir a missão que iniciou com Myriel podia finalmente descansar. Thénardier, por sua vez, não se arrependia de nada que fazia, o que comprova também o senso de realidade de Victor Hugo de que na vida real nem sempre tudo tem conserto, e que apesar do seu idealismo tinha consciência de que o bem deve sempre prevalecer, mas que nem sempre é possível vencer todas as injustiças. O que não pode ser perdido de vista é que apesar disso, Thénardier também teve sua pena quando lhe foi negado o convívio com seus compatriotas e a sua não-morte talvez deixe também uma ainda possível chance de conversão. A morte de Thérnadier poderia causar uma contradição em relação às convicções do autor que se colocava radicalmente contra a pena capital.
Após estas observações sobre as questões irônicas em Os Miseráveis, cabe ainda uma breve observação sobre o papel do narrador na obra de Victor Hugo. Não temos como identificar claramente de quem é a voz narrativa senão uma imagem de autor que transita pelos pensamentos das personagens e revela seu íntimo. O narrador onisciente que tudo sabe e tudo vê é uma voz anônima que tem a liberdade de censurar e criticar a sociedade sem que tenha nisso a possibilidade de ser repreendido por tais atitudes. Com este estratagema, Victor Hugo, desnuda as entranhas da sociedade de sua época colocando em xeque as decisões da lei e seus excessos para com os mais necessitados e menos assistidos. Victor Hugo tem claramente uma meta: atingir a pena capital que ele via como algo inútil e que não atingia o âmago das questões sociais desejadas de sua época, pois a contemplação das execuções não tornava a sociedade mais justa e sim animalizava os expectadores.
Percebemos, portanto que desde a abertura do romance Victor Hugo aponta um modelo de ser humano que seria capaz de transformar um transgressor em um ser social digno. Este modelo está no Bispo Myriel que age através de discursos irônicos fundamentais para o entendimento da obra e que vão se aprofundando no decorrer da trama, mesmo quando ele não faz mais parte dela “fisicamente”. Myriel utiliza-se do jogo de palavras contraditórias que definem o conceito de ironia, mas que ao longo da narrativa vão sendo transpostas para as atitudes das personagens.
Myriel representa a bondade suprema a qual ele transfere para Jean Valjean. Em várias passagens de seu discurso podemos perceber a comparação desta personagem com o Cristo. Ele se utiliza de parábolas do evangelho e até outras criadas por ele mesmo para o convencimento de seus interlocutores. Algumas de suas atitudes são encaradas com estranheza por aqueles que o cercam ou que são visitados por ele, como na ocasião da sua visita a uma distante cidade em que foi recebido pelo prefeito e fidalgos do local com risos por ele adentrar a cidade usando um burro como montaria. Ao se deparar com tal recepção declarou aos que o recebiam com um discurso contundente e irônico que o perdoassem por tal pretensão. Ele não queria se igualar à imagem de Jesus Cristo, sendo assim, a comparação estava feita.
Todo o discurso de Victor Hugo perpassa pela personagem Myriel que via a pena de morte
“Das duas coisas uma: o homem contra o qual os senhores acometem não tem família e nem parentes ou vínculos de adesão a este mundo; e, neste caso, não recebeu educação, nem instrução, nem cuidados para o seu coração, e, então, que direito tem de matar tão miserável órfão? Os senhores o punem porque sua infância se arrastou pelo chão, sem talo e sem apoio! Condenando-o de antemão ao isolamento em que já o tinha abandonado! Tornando sua infelicidade seu crime! Ninguém lhe ensinou a ter consciência do que fazia. Esse homem ignora sua culpa está em seu destino e não em si. Os senhores atacam um inocente. Ou o homem tem uma família; e, neste caso, acreditam os senhores que o golpe com que o degolam fere apenas ele? Não sangra o seu pai, não sangra sua mãe, seus filhos? Ao matá-lo, é a toda a família que decapitam. E, uma vez mais, são inocentes que os senhores atacam. (Winock, 2008, P. 26)

Assim, concluo nessa breve análise de uma obra tão rica como “Os Miseráveis”, que a ironia do texto de Victor Hugo consiste em justamente revelar, através de suas personagens, suas convicções sobre a realidade e transformações pelas quais a sociedade francesa de seu tempo passava.
As alianças que se constroem, os princípios que cada personagem defende formam na verdade um mosaico do olhar de Victor Hugo para sua sociedade e seu combate aos preconceitos, injustiças, desigualdades e corrupção do poder. Além disso, ele revela também através das suas personagens as reações daquelas mais íntegras em relação ao abuso de poder e violência desnecessária. Sua condição principal de reação era o amor e a solidariedade como forma de combater as circunstâncias que tendiam a levar o homem de sua época a se degradar. Isso deixa claro também que o excesso de castigo aniquila o delito resultando na inversão da situação substituindo o erro do delinqüente pelo erro da repressão, fazendo do criminoso a vítima e do devedor credor, e pondo definitivamente o direito do lado daquele que violou a lei.
Nesse sentido, a personagem Jean Valjean incorpora esse homem que é punido com todo o rigor. No entanto, ele não compreende tal rigor como redenção de seus atos transformando-se em algo que não era antes de cometer seu delito. Ele passa a ser uma pessoa inconformada com a situação que lhe foi imputada e só retorna ao seu estado natural, após o encontro com o seu redentor, bispo Myriel, e também após passar por uma série de mortes metafóricas que deixavam para trás as identidades corrompidas.
Em todo seu percurso Jean Valjean é retratado por Victor Hugo como um homem em confronto permanente com a sociedade, sociedade essa que o massacra condenando-o a privações e muitas vezes destituindo-o de sua humanidade. Essas atitudes que advém da sociedade surgem já a partir de sua juventude, que o obrigam a cometer um delito, lançando-o numa sorte cruel em demasia para o seu delito. Contudo, basta um ato de caridade para que Jean Valjean retorne ao seu estado original de decência. O que se torna mais irônico no confronto dessa personagem com a sociedade que a cerca é a imagem de autor que ela tem. Assim como Victor Hugo a personagem Jean Valjean luta contra um corpo social que impõe regras e leis que não são de sua concordância, mas nem assim imerso nesta tal sociedade, é manobrado por ela e abre mão de suas convicções, não importando as conseqüências que isso possa lhe acarretar.
Do ponto de vista social, Victor Hugo sofreu várias retaliações por suas idéias contrárias ora à República, ora à Monarquia. Assim como Jean Valjean ele foi exilado por vários anos, mas nem com isso deixou de se insurgir diante daquilo que achava ser desleal. Numa espécie de imagem de autor percebe-se a mesma trajetória em Jean Valjean, que como já foi dito anteriormente, se empenha em combater as injustiças de sua sociedade e ajudar aqueles a quem julgava injustiçados. 
Em um primeiro momento, como foi apontado nesse trabalho, Valjean lutava por si mesmo com intenção de poupar-se das injustiças que percebia no fato de não ser perdoado por cometer um ato tão fortuito enquanto outros crimes mais graves eram cometidos sem nenhuma punição. Aos poucos, porém suas atitudes não são mais em prol de si mesmo, mas em função de outros que julgava mais injustiçados do que ele próprio, assumindo um caráter elevado na narrativa. Esse caráter elevado é por muitas vezes retratado nas passagens em que ele surge, assim como seu redentor Myriel, como um ser divino capaz de interceder pelos mais desafortunados.
Percebo que fazer uma análise do ponto de vista irônico, da perspectiva do confronto da personagem perante as atitudes de sua sociedade, é algo extremamente nebuloso, já que as teorias oferecem poucos subsídios neste campo de investigação. A ironia é vista, na maioria das vezes, como um ato de discurso e não como um ato de confronto social como pretendi demonstrar através da análise dessa obra. Contudo, acredito que este campo de investigação pode se estender para a maioria dos romances, pois como afirma Bakhtin o que caracteriza a ascensão do romance é a inserção da ironia em seu corpus. Mas como podemos observar nessa análise a ironia usual não dá conta da evolução social e tecnológica que a humanidade e o próprio romance sofreram no decorrer dos tempos. Neste caso é necessário elaborar uma nova teoria que abarque este fenômeno.


[1] Aluno de crédito avulso.

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